Estado de vigilância
A Stasi e a Vigilância no Museu da RDA
O Ministério da Segurança do Estado vigiava os seus próprios cidadãos a uma escala extraordinária. Eis o que foi a Stasi e como o DDR Museum permite sentir o seu alcance.
Check dates and availability ↗O que era a Stasi
O Ministério da Segurança do Estado — Ministerium für Staatssicherheit, abreviado como Stasi — foi a polícia secreta da RDA, o serviço de informações e o instrumento de controlo político, fundado em 1950. Descrevia-se como o "escudo e a espada" do partido no poder, o SED, e durante quase toda a sua existência foi dirigido por Erich Mielke. A sua missão não era o crime comum, mas sim detetar e reprimir tudo o que o partido considerasse dissidência: opiniões não autorizadas, contactos com o Ocidente, planos de fuga. Para o conseguir, a Stasi construiu um dos sistemas de vigilância mais minuciosos que qualquer Estado alguma vez dirigiu contra a sua própria população — a história que o Museu da RDA entrelaça nas suas exposições do quotidiano.
A escala de assistir
Os números são o que mais impressiona os visitantes. No final da década de 1980, estima-se que a Stasi tenha empregado cerca de 90.000 funcionários a tempo inteiro e contado com aproximadamente 170.000 a 190.000 informadores não oficiais — os infames IMs, cidadãos comuns que denunciavam vizinhos, colegas de trabalho, amigos e até cônjuges. Os arquivos em papel que acumulou, se colocados em fila, somariam bem mais de 100 quilómetros. Números como estes são amplamente citados por historiadores e pelo arquivo que hoje guarda os registos; trate-os como estimativas bem fundamentadas, e não como contagens exatas. De qualquer forma, o alcance era vasto: uma sociedade em que um grande número de pessoas estava, de alguma forma, a ser registado por escrito.
A exposição de vigilância no interior
O Museu da RDA torna isto concreto em vez de abstrato. Uma escuta 'escondida' integrada na exposição dá-lhe a sensação inquietante de estar a ser ouvido, e a partir das galerias principais pode entrar numa sala de interrogatório recriada e numa cela prisional. Estar naquele espaço pequeno e nu diz mais do que qualquer estatística sobre o que a atenção do Estado realmente significava — o isolamento, a pressão, a banalidade da sala onde tudo acontecia. Como o material de vigilância está exposto lado a lado com o papel de parede, o Trabant e as fotografias de férias, a mensagem do museu é contundente: a vigilância não acontecia noutro lugar, mas estava entrelaçada na mesma vida quotidiana que acabou de tocar.
Como isso alcançou a vida quotidiana
O poder da Stasi não residia sobretudo no arresto dramático; residia na possibilidade silenciosa e constante de ser denunciado. Um informador podia ser um colega, um amigo do clube desportivo, um senhorio ou um familiar — o que ensinava as pessoas a ter um reflexo de cautela sobre o que diziam e a quem. O serviço abria correio, intercetava telefonemas, controlava viagens e mantinha arquivos sobre centenas de milhares de pessoas, e praticava o que chamava Zersetzung: não prender os indesejáveis, mas destruir silenciosamente os seus empregos, amizades e confiança. Os objetos do quotidiano no museu ganham uma segunda camada quando se percebe isto — o apartamento acolhedor e a vida pública ordenada eram vividos dentro de um sistema que estava sempre, potencialmente, a escutar.
Aprofundar: o Museu da Stasi e o arquivo
Se o tema o fascina, há outros dois locais em Berlim que o levam mais longe, e são bem diferentes do Museu da RDA. O Museu da Stasi fica em Lichtenberg, na antiga sede do Ministério, onde pode percorrer os gabinetes preservados do próprio Mielke; nas proximidades, o Arquivo de Registos da Stasi guarda os próprios processos, que os antigos cidadãos ainda têm o direito legal de consultar sobre as suas próprias vidas. O Museu da RDA, pelo contrário, insere a vigilância no contexto mais amplo da vida na RDA, junto ao Spree e à catedral. Visite o museu à beira-rio para o contexto do quotidiano e a visão geral; faça a viagem até Lichtenberg quando quiser ver a máquina da polícia secreta em toda a sua escala sóbria e avassaladora.
Uma nota sóbria, e visitar com crianças
Esta parte da história é tratada com seriedade, mas sem sensacionalismo. Não há conteúdo gráfico nas secções de vigilância, e a sala de interrogatório e a cela são apresentadas de forma sóbria, como história e não como espetáculo — razão pela qual o museu continua a funcionar para famílias mesmo aqui. As crianças tendem a percorrer estas salas rapidamente e a gastar a energia nas exposições interativas, enquanto os pais podem demorar-se ou controlar o ritmo como preferirem. No entanto, se quiser que a sua visita tenha verdadeiro peso e não seja apenas nostalgia, dedique o tempo devido ao material de vigilância: é ele o contrapeso que impede o Trabant e o apartamento no bloco de torres de caírem num charme simplista.